terça-feira, 4 de dezembro de 2012
domingo, 12 de junho de 2011
Observação
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Penso que o mundo é cíclico e isto um pouco me assusta. Meu avô, hoje internado em um quarto de hospital clamando por sua mãe como quando criança, um touro de coração inatingível por toda a vida criança de novo se encontra. E assim como meu avô, o avô de seu avô, e todos os avôs do mundo que antes de partirem também olharam pra alguma parede e se questionaram, e envelheceram, e por aqui não ficaram.
Se olharmos de perto, não vai fazer sentido. Não vai. Por isto mesmo é que eu quero gritar, correr, sentir o vento na cara. Experienciar o que é mais intenso. Amar. Sentir-me impotente perante este coração que insiste em mandar apesar de parecer fraco, pra que um dia mais á frente quando olhar para a mesma parede ela se torne uma tela de cinema e nela tenha minhas lembranças para projetar.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
eu
que venero esta cidade grande
e ela me engole!
me torna escasso e
distancia, distância
á qual eu não me adapto
não me motorizo!
o tempo,
que á princípio parece infinito
é o que mais me pressiona
dentro de sua escassez
não consigo ser inteiro
faltam partes minhas
cada amigo fica com um braço
uma perna
um dedão
o meu coração
espero que todos entendam
é onipresente
carente
não tenho opção
não vivo somente de mim
tudo que está fora também me leva
e só se engana quem pensa que é dono de si!
vou continuar aqui
escrevendo estes versos cafonas
que até que arranje
meios melhores
são a tentativa
mais próxima
de me tornar mais
inteiro
segunda-feira, 19 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010
O método

Deitara no divã já há alguns minutos. Durante todo o caminho pensara em como começar a sessão, o que dizer áquela mulher, fato este que ao longo dos meses havia se tornado uma questão torturadora. Cada vez que se sentava em frente á ela ficavam se olhando por longos minutos, que pareciam horas. Nada vinha á sua mente, e a pressão que o olhar curioso da mesma exercia sobre ele o deixava congelado, o que causava ainda mais ansiedade, e nos dias em que realmente achava estar bem, acabava tendo que inventar algum perrengue fictício só pra ter papo, o que acabava se tornando real dada a dramaticidade da interpretação e da fé cênica trazida dos tempos de ator amador, cuja frustração pela falta de talento também já havia sido abordada na terapia.
Ela, a psicóloga, que não era velha mas já entrara na meia idade, usava roupas largas com motivos indígenas e estava um pouco acima do peso. Usava aqueles colares de pedras e madeira, um certo ar de intelectual tupiniquim, com óculos na ponta do nariz e um olhar de matrona. Pediu então que fechasse os olhos e se concentrasse. Trouxesse, lá do fundo da mente, a cena, a situação passada que tanto lhe aborrecia e teimava em não ir embora. De acordo com o método, a cena deveria ser revivida em preto e branco e, na hora do trauma em si, no ápice do acontecimento, pausada e observada por alguns momentos como se fosse um filme em slow motion, até que seu coração, disparado pelo trauma, suas mãos suadas e a tremedeira fossem passando naturalmente e a ansiedade diminuísse. Começou então á lembrar da noite fatídica. Na verdade, neste ponto já queria rebobinar o filme, dar stop de uma vez, e que se lascasse a pausa. Mas, como tudo que não se quer ver exerce uma atração incomensurável sobre nós, um magnetismo que vai contra a gravidade do fato em si, não conseguiu tirar os olhos da cena. Pronto, o momento da pausa! Quando os lábios se tocam! A cena até seria bonita, se ele mesmo fosse o codjuvante do tão querido protagonista. Quase romântica, caso fosse fato isolado e se abstraísse o ambiente todo em volta e as caras tortas. Observou aquilo, prestou atenção nas expressões. Era como se tudo houvesse calado e não conseguisse mais falar pela boca, fosse dar um grito pela barriga, aquela coisa parada perto do estômago e que se saísse causaria um estrago, incontrolável, demasiado humana. Suas pernas ficaram sem força. Este, pensou, deveria ser o momento em que os sinais de ansiedade deveriam começar, e em seguida melhorar, o que não sucedeu. Algo estava errado. Como num estalo, abriu os olhos. Olhou em volta e enxergou tudo mais claro dentro da sala. A terapeuta e sua habitual cara de "isto é realmente muito interessante" dos terapeutas, olhava curiosa. Sentiu uma euforia, uma aceleração. Fora de compasso, sentia como se alguém houvesse sentado no controle remoto em cima do sofá e apertado o botão de avançar com a bunda, mas que acelerava somente seu próprio personagem e mais nada em volta. Sentiu um odor forte que antes passara despercebido. Sentia agora um outro frio na barriga. Num gesto incontrolável se levantou, e de pernas moles foi até a psicóloga, segurou seu rosto com as duas mãos e lascou-lhe um beijo de língua. Um beijo nervoso. A coitada nem teve como reagir. Segurou com as duas mão os braços da poltrona onde estava sentada, apertou o couro com suas unhas e ficou com a cara vermelha, como quem tem muito ódio ou se asfixia, ou lhe fosse sugada toda a energia pela boca. O corpo pulava tentando se desvencilhar, os olhos abertos, esbugalhados.
Soltou a pobre coitada, bateu com a mão na maçaneta e saiu correndo. Desceu as escadas do prédio onde se encontrava o consultório e parecia ter o demônio no corpo. Era uma euforia irreconhecível, quase um desespero prazeroso. Uma sensação dionisíaca. Saiu correndo pelas ruas do centro antigo, a cabeça inclinada pra frente e os passos agora já firmes. Era horário de almoço e a rua estava cheia.
Quando o engraxate levantou a cabeça, achou que algo de ruim estivesse acontecendo, um assalto talvez. Manteve as mãos no sapato e com olhos assustados olhou direto ao que então achava ser a ameaça, que por sua vez não pensou duas vezes, aliás, nem pensou, dado o momento irracional: abaixou-se e lascou um beijo no engraxate, que não sabia se segurava o pé do cliente, o boné, ou se aproveitava o beijo. Largou o pé do cliente, que saiu correndo e xingando, e tentou empurrar o maluco que o havia agarrado. O beijo fora mais demorado que o da psicóloga, talvez pelo fato do predador ser homossexual, característica esta que até agora não se sabe sobre a presa. Quando o franzino engraxate já não lutava mais, deixando a dúvida inclusive se gostava ou não do ataque, soltou o rosto do jovem todo babado e saiu correndo novamente.
Correu enfim como um louco, um desvairado em busca de um beijo, uma necessidade brutal da troca de fluídos, independente de quem fosse, bonito ou feio, homem ou mulher, humano ou animal. Até um cachorro chegou a beijar, um rotweiller com cara de mau que arrastava seu dono pela coleira só pra lamber a cara e a língua do descontrolado e rosnou somente quando o seu dono finalmente foi beijado. Beijou todo mundo nos pontos de ônibus, os taxistas, os malabaristas de semáforo e os amarelinhos do trânsito. Era só um semáforo fechar e já jogava metade do corpo pra dentro dos carros e tascava selinhos e beijos de língua nos mais distraídos. Aparentemente beijava bem. Alguns até aproveitavam por um tempo mais longo que o normal, geralmente jovens senhoras que conseguiam inverter a situação e fazê-lo correr.
A ânsia era tanta que quando não encontrava alguém passava a beijar o próprio braço, as mãos, e saía correndo com a língua entre os dedos. Naquele dia não parou pra comer, incansável. Entre uma bitoquinha e outra lembrou-se do escritório, pois lá deveria estar, e só se lembrou porque minutos antes beijara uma senhora que desconfiava ser a esposa do chefe.
É verdade que em vários momentos correu pra fugir. Correu de senhoras conservadoras, que quando conseguiam se desvencilhar da rota do predador gritavam sobre os riscos das doenças carregadas pela saliva, como o sapinho, por exemplo, e pela falta de vergonha de se beijar com a língua na frente das crianças. Correu de policiais homofóbicos e de neonazistas, que primeiro beijavam e depois batiam.
Chegou enfim em frente ao prédio onde trabalhava. Olhou para o alto e respirou. Pensou, por um mísero instante de clareza de raciocínio, que não seria muito inteligente beijar seu chefe. Respirou, apertou as mãos na tentativa de auto controle, entrou no hall de entrada e deu um selinho de meia boca no zelador, que fazia vez de porteiro, e não entendendo nada continuou separando as correspondências, como já fazia há quarenta anos, entregues pelo já conhecido carteiro que também já fora beijado horas antes, e por sinal havia gostado. Entrou correndo no elevador, vazio por muita sorte, apertou o número do andar desejado e logo veio o ímpeto que o levou direto ao espelho de fundo. Beijou-se ardentemente, de olhos abertos, uma vez que somente pelo toque perceberia que aquilo não passava de um vidro. Quando a porta se abriu, segurou com o pé. Encarou sua imagem no espelho babado e não se reconheceu.
Respirou fundo. Neste dia não cumprimentou a recepcionista, como sempre fazia. Passou olhando para o lado oposto, e assim que avistou a mesinha com o café não teve dúvidas, saiu com o copo de plástico tapando a boca enquanto sua língua enlouquecida lutava pra sair e consequentemente limpava todo o copo por dentro. Sua mesa, bem ao fundo, o esperava como todo o dia fazia, um bicho de vários braços e cabeças de papel pronta para engoli-lo ao som da trilha sonora bizarra da voz do seu chefe pressionando sem dó. E foi neste exato momento que a trilha começou: como que sentindo sua presença de longe, um cachorro atrás da cadela no cio, seu chefe gritou lá dos confins da sala de reuniões chamando seu nome. O frio na espinha veio em seguida. Como falar com seu chefe quando sua língua não queria falar? Além da vergonha, certamente seria processado por assédio á um homem de sessenta e vários anos. E, também como fazia diariamente, seguiu o chamado como um cão adestrado e pra lá foi. Da porta da sala de reunião avistou a enorme barriga do seu chefe espremida contra a mesa lotada de gente. Sua língua agora estrebuchava dentro do copo. Teve vontade de chorar, de vomitar, quando percebeu o que estava em iminência de acontecer. Que pelo menos o beijasse na boca e não na barriga. Quando adentrou todos olharam. “Fsdnjndadashdu%$@*#¨¨!”, falou. “Mas o senhor pode me explicar o que...”, dizia seu chefe quando subitamente sentiu a língua estranha dentro da boca. Foi uma gargalhada geral. Apesar do ar carrancudo do chefe, a cena era muito absurda pra passar despercebida e para azar do funcionário que provavelmente teria suas horas contadas dentro da empresa. Olhou seu chefe com olhos esbugalhados. Tentava afastar seu corpo mas a boca não desgrudava. O velho até tentou mordê-lo, mas a língua estava tão rígida que era impossível. Pareciam dois cachorros grudados. Quando conseguiu tirar a língua de dentro de seu superior, já sem fôlego, não sabia se corria pra esquerda ou direita, e percebendo que não adiantariam maiores explicações, fugiu do escritório sob os aplausos dos colegas de trabalho que achavam ser aquele algum ato de rebeldia contra a empresa.
Desceu quinze andares de escada afim de evitar maiores contatos. Já estava zonzo. Tudo que queria era sua casa. Apesar da agitação que insistia em aumentar, abaixou a cabeça e seguiu pelo meio da multidão. Guiava-se pelo chão, pelas calçadas que já conhecia, pelas esquinas já conhecidas. De cabeça baixa entrou no prédio, cumprimentou o porteiro e ousou levantar a cabeça novamente pra olhar. Aproveitou o elevador que já estava no térreo. Olhou-se no espelho novamente, agora já conseguia. Colocou a chave na porta e girou. Foi recebido pelo sorriso que considerava o mais lindo, olhou aqueles olhos brilhantes e enxergou. Aproximou delicadamente seus lábios dos dele e os tocou. Pela primeira vez durante todo o dia deu um beijo.
domingo, 22 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Outra memória de viagem.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Com a bochecha direita encostada no balcão do bar, sentia meu corpo inteiro formigando. Horas antes, andando pela cidade com um grupo de espanhóis, entrei no Banco do Brasil pra acompanhar uma conhecida brasileira a tirar dinheiro. Lá dentro, uma figura vestida com saia e blusa indianas, coloridas, cabelo todo encaracolado e avermelhado conversava, alucinadamente, com a caixa do banco vazio, reclamava que sentia saudades do Brasil e dos brasileiros, que não aguentava mais e precisava falar português de qualquer maneira. Olhou pro meu lado, e como tenho imã pra gente doida lá veio ela com seu sotaque nortista, acolhedor, desanuviando os ouvidos da pobre caixa-terapeuta-brasileira-que-mora-em-Amsterda. Deu graças á Deus de ver um brasileiro. Comecei a conversar, ela era interessante e tinha presença de espírito, era bem engraçada. Saímos juntos do banco, nos juntamos ao grupo de espanhóis novamente e fomos andar. Não muito tempo depois, já éramos unha e carne! Por idéia dela, demos um perdido no grupo e sentamos em um bar todo decorado com motivos psicodélicos, todos lá sentados em círculo, no chão, olhando uns para os outros, chapados. Avisei que nunca tinha fumado a mardita. Peguei o cardápio e escolhi a jamaicana, tinha jeito de ser boa e me lembrava praia. Começamos á conversar sobre o Brasil, sobre as praias maravilhosas em contraste daquele dia frio, do seu marido paraguaio que era artista plástico, dos seus dois filhos e seus nomes excêntricos, e eu ria, ria, e dizia estar frustrado porque nada estava acontecendo e que aquele treco não dava barato, uma enganação. Saíndo de lá, andava pelas ruas e até o asfalto eu achava bonito.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Provavelmente em busca de novas experiências, meus dois vidros de florais de Bach também foram bebidos no ultimo Sábado. Como se não bastassem as aproximadamente quinze garrafas de lambrusco tomadas e as várias de vinho branco, além da tradicional vodka com energético dos nossos “esquentas”, descobriram meus dois vidrinhos ao lado da máquina de lavar louça inativa ao lado da janela da cozinha e colocaram no lambrusco. Não sei porque, mas deu barato. Percebi a avalanche de pessoas bêbadas invadindo minha cozinha logo depois do bolo destroçado pelo Emílio,já bêbado, que fazia aniversário neste dia, e em vez de cortar o primeiro pedaço e fazer um pedido praticamente esquartejou o bolo. Acho que ficou nervoso pelas cenas calientes protagonizadas por vários bonequinhos de plástico que eu comprei no mercado e usei para decorar o bolo, afinal era aniversário de menino, não de menina. Perdi a vela, devo ter jogado no lixo junto com as sacolas de mercado que geralmente evito, pois sou ecologicamente quase correto, no que diz respeito a sacolinhas de mercado pelo menos, peguei uma vela de Natal da largura de uma de sete dias acendi. Alguém virou lambrusco do lado do meu DVD, o que prontamente limpei usando um pano de prato velho e papel toalha, mas como já estava bêbado precisei de ajuda. Desconfio que teve gente que bebeu Listerine, pois só achei metade da vasilha de um litro e meio ainda restante. Não sei se deu barato, mas que chegaram com um hálito incrível na The Week eu tenho certeza.
Meu amigo Décio foi o bofão da noite. O Emílio, já bêbado, quebrou meu saca-rolhas e daí só um homem de um “metro-e-noventa-e-muitos” pra abrir as garrafas remanescentes á força usando uma faca. O Al….ai o Al…aiaiai o Al….passou lá em casa antes da galera e foi uma delícia, um dos pontos altos da noite. Gostei também de ver o outro Alex, neste caso o dragão,e o Ton, que nunca tinham vindo ao apartamento52 mas eu jurava que sim.
Tiramos várias fotos. Domingo, eu e Emílio, que me visitava pra buscar seus presentes, começamos a vê-las uma à uma, ainda na câmera. Diego, que fazia poses em todas elas roubou a cena e todas eram engraçadíssimas, apesar de ter cismado com meu quadro preferido que segundo ele dava “sono”. Passando meio que rápido por todas elas, tivemos uma surpresa logo depois da foto de uma amiga bem bonita, não “ajeitadinha” e nem “exótica”, bonita mesmo. A próxima, tirada de dentro do meu banheiro, e com a própria câmera do Emílio, mostrava um…órgão reprodutor masculino, mais conhecido como pênis, ou pinto mesmo. Pois é. Ficamos uns três segundos chocados sem entender muito bem o que era aquilo, depois virei o rosto numa crise de riso e ao mesmo tempo sem graça, achando que eu havia acessado algum álbum de fotinhos proibidas do meu amigo, aquelas que todo mundo já tirou um dia pra se auto-analizar e esqueceu na câmera. Não foi o caso, realmente não eram dele, pelo menos ele disse, e estavam bem no meio das fotos da bagunça. Desconfiamos de uma certa pessoa que, se não estou enganado, falava alguma coisa sobre “pinto” e “banheiro”. Eram três fotos, mesmo ângulo, estados diferentes. Não vou explicar.
Todos para a The Week, que estava fantástica, as pessoas também. O som estava incrível. Pra mim não cola mais aquela balela de que em semana anterior á festa famosa não vale a pena sair. Acho que o que rola é o oposto, pois nas tais festas não se consegue nem andar trinta centímetros na pista e muito menos dançar. E vamos combinar que ninguém agüenta uma noite inteira dentro de vip. Nos divertimos horrores e quando me chamaram pra ir embora já eram sete da manhã. Eu nem percebi.
Acabei de assistir á entrevista da Anna WIntour no David Letterman. Um E.T.
De resto, vou trabalhar todos os dias somente á tarde esta semana. Vou dormir pra cacete.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
The Turning Point

Desde Sexta-Feira estou só o pó. Trabalhei horas a mais todos os dias da semana passada. Fui pra academia a noite e simplesmente não tinha energia, não havia sobrado nada. Cheguei aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, não da vida pois acho que ainda rola uma prorrogação, mas da academia, ou seja, nem os professores estavam com uma cara muito boa. E Ana Carolina não ajuda muito se você é um dos únicos a malhar numa academia deserta numa Sexta á noite e ainda deu mal jeito na lombar. Me arrastei pra um queijos e vinhos na casa de uns amigos, dei risada, voltei pra casa cambaleando e travado. Acordei Sábado e nem conseguia levantar da cama. A genética é realmente engraçada. Todo ano no inverno vejo meu pai na mesma situação. Acho que chegou minha vez...
Tenho medo da natureza. Nem sempre foi assim, já participei de caminhadas na Serra do Mar, tomei banho de cachoeira. Mas hoje, a mata fechada e seus bichos me dão calafrio. Pra mim, natureza é caos, e quanto mais se distancia dela, menos bem vindos somos á esta atmosfera caótica. Aquele crescimento desordenado, a lei do mais forte sobre o mais fraco, tudo isto me deixa tonto. Em algum momento nos distanciamos disto, o que eu acho bom. Acredito que fazemos parte deste caos também, ele está dentro de nós inclusive, e existe uma linha muito tênue entre o equilíbrio a nossa total desordem, nosso estado mais primário, grotesco. Já tive a impressão de que nossa meta deveria ser uma aproximação maior com ela, a Natureza, e que nossa infelicidade estaria em tentar ordenar o que não é “ordenável”. Hoje me questiono. Isto nos daria paz intelectual pois o instinto reinaria, porém poucos de nós sobreviveriam, aposto. Eu mesmo, neste turning point seria devorado por algum bicho mais fortinho fácil fácil.
Por isto é que tiro mais uma vez o chapéu pro Lars Von Trier. Sábado fui á pré-estréia do “AntiChristo” com dois melhores amigos, Cícera e Emilio, e tentei arrastar o terceiro, Danilo, dizendo que havia comprado os ingressos pra assistirmos a pré-estréia de um drama chamado “Christo”, o que não colou pois ele só apareceu no fim da sessão e ficou me esperando do lado de fora, ou seja, tive de devolver o ingresso. Ele odeia filmes de terror. Em uma ocasião praticamente o obriguei a assistir um suspense em casa, foi uma cena só. Ele grita, esperneia, dá “pitti”. No filme, um casal, uma escritora e um psicanalista, perdem o filho. Em uma espécie de tratamento de choque, o marido tenta salvar sua esposa e a leva a enfrentar seus medos mais primários, cara a cara, durante uma estadia forçada no “Éden”, o sítio onde fica a casa da família no meio de uma floresta inóspita onde só se chega depois de uma longa caminhada, e não pense que estou estragando o filme pois isto consta na sinopse e é só o começo da desgraça toda. Assim como em Dogville e em Manderlay, nos quais pouco a pouco nosso lado mais “humano” vai se mostrando e impera a lei do mais forte, seja esta força física ou não, no Éden, no meio daquele mato todo, não poderia ser diferente. O diretor conseguiu exemplificar o que sempre achei da natureza, a com N maiúsculo e chamada de mãe, e a nossa natureza mesmo, e com um toque de sadismo que acho que faz parte das duas. A experiencia foi punk, até mesmo porque eu já estava um pouco zonzo do falatório da peça que tinha acabado de ver, que se passava dentro de um bar e ninguém parava de falar, A Falecida Vapt-Vupt, do Antunes Filho. Terminamos a noite na Lanchonete da Cidade contando histórias de terror e de sonhos esquisitos. A Cícera foi lá pra casa e conversamos primeiro na cozinha, comendo pão doce, e depois na cama, mas sem sexo.
Travado, passei o Domingo no sofá. Olhava pra fora da minha janela grande da sala e via aquela garoa ininterrupta, própria pra um filminho e comidinhas. Comecei a tarde com dois sanduíches com mortadela, peito de perú e queijo cheddar, tudo misturado, uma bomba. Assisti Milk, que não esperava ser muito bom mas fiquei surpreso. Chorei. Tive vontade de ser militante, mudar tudo, até que fiquei com fome de novo e esqueci tudo. Comi mais dois sanduíches. Mais gordo e ainda carente, deu uma saudade do Al....ai o Al....aiaiai o Al....então passei torpedinhos e dormi. Sem resposta, depois de um tempo liguei. Ele foi lá em casa, assistimos um pouco de televisão, juntos. Eu não queria mais nada. Mas durou pouco, e eu insisti acompanhá-los pra casa pra ficarmos juntos mais um pouco. Passei um frio danado, mas valeu. Subimos e conversamos mais uma meia hora á meia luz.
De resto, vou tentando dar um jeito na minha vida. E já que não fiz nada no fim de semana e fiquei quebrado do mesmo jeito, o próximo que me aguarde.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Me sinto bem na madrugada. Mesmo com o sono batendo, ou melhor, o cansaço, pois o sono some, fico elétrico e pau pra toda obra depois da meia-noite, mas não bebo sangue e nem durmo em caixão. O apartamento52 parece mais aconchegante, o mundo parece só meu. Ontém, até uma e meia da madrugada minha casa estava cheia. Mãe, sobrinha, irmão, vizinha e filha da vizinha, que da última vez que vi era bebê e quase matou todo mundo do coração engasgada. Minha sobrinha insistindo pra comer pipoca, me pedindo pra não falar pra ninguém, era só pra ela. Tudo bem, eu estava com medo de servir a filha da vizinha, de qualquer maneira. É de madrugada que mais me dá fome também, e quando bate o desespero vale o que tiver na geladeira, em qualquer combinação possível. O Flavio ontem comentava que estava comendo pudim durante o chat, eu tive de me virar com leite Ninho e Nescau, misturadinho com um pingo de leite integral pra virar uma papinha. Fui dormir ás cinco da manhã e já tinha comido, além da papinha, pão com peito de peru, vários copos de leite e salsicha.
Faz meses, na verdade mais de um ano, logo após a saída do Al...ai o Al...aiaiai o Al....como eu gosto do Al... do hospital, depois do acidente de moto, que comecei a me sentir estranho. Tenho uma sensação constante de tontura, não consigo focar o olhar muito bem, e uma pressão esquisitíssima na cabeça. Pra falar a verdade já achei que estava batendo as botas, mas como já se passou um bom tempo, não acho que seja a curto prazo, afinal, todos os meus exames dão sempre ok, ou seja, "tecnicamente" não tenho nada e se tudo der certo só a longo prazo mesmo é que eu desligo. Mas, estou um pouco(!) irritado com tudo isto. Não que eu queira achar algo de errado, mas acho impossível nenhum médico achar nada por outro lado. Já me disseram que é ansiedade...sou ansioso, mas conheço gente muuuuito mais ansiosa do que eu. Bom, vou levando, e já estou pensando em consultar curandeiro e pai-de-santo. Não podia deixar de comentar pois escrevo agora bem tonto, aliás. Gente burra também me dá tontura, e tenho lidado com várias, mas esta tontura esta além do normal.
Hoje li num blog gongo pra fashionistas descompensados (adooooro!) que tem uma modinha "peitinhos de fora" rolando nas buatchs descoladas da moda. Tinha inclusive umas fotos com uns peitchos no mínimo estranhos saindo das camisetas regatas. Me questiono porque os mesmo fashionistas, que aliás conheço vários e adooooro(!), sempre questionam as Barbies que tiram a camisa na noite, sendo que eles próprios já começam a mostrar seus corpos desnudos? Pura dor de cotovelo, tá comprovado. Rarará! Lembrei aliás que meu amigo Lucas perdeu a camisa na The Week no último Sábado, achei engraçadíssimo. Dêem uma olhada no www.tinyurl.com/hcafona que as fotos valem a pena.
De resto, tô tentando dar um jeito na minha vida.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Atacaram bolinhas de gude nos travestis. Pois é. Algum vizinho “simpático” fez a política da boa vizinhança, abriu a janela, e tome bolinhas de gude. Claro que as travas se revoltaram. Sim, tem travesti na minha esquina, e não, eles não mexem com ninguém, muito pelo contrário. De vez em quando escuto o papo lá da rua, coisa bem fina, principalmente quando “elas” estão brigando ou alguém não quis pagar. Claro que não sou amigo íntimo de nenhum(a), nunca nem conversei, não por preconceito, simplesmente porque não vem ao caso, mas também não preciso sair brincando de paintball com eles(as). O fato é que tenho alguns vizinhos bem“fofos”, gente boa mesmo. Meu prédio é de gente distinta, mesmo. Senhorinhas com colares de pérolas e coque muito bem feitos, de mãozinhas dadas com seus velhinhos muito bem vestidos, educadíssimos, e coisa e tal. Tem uma galera mais jovem que é descolada, mas sempre tem aquela figura “super” querida de todos... que pelo jeito joga bolinhas nas travestis. Em protesto, vieram até o porteiro e ameaçaram quebrar as duas portas de vidro do prédio e o espelho gigante do hall de entrada. Agora por causa do mala-vizinho corro o risco de correr de travesti, apesar de elas falarem que me acham gostoso quando eu passo(!). já recebi algumas propostas indecentes. Só sei que a presença delas não me incomoda e acho até engraçado, são divertidas. O melhor de morar aqui é subir três quarteirões e passear pela Higienópolis, ou se for pro outro lado tomar uma cerveja na Roosevelt. Gosto de estar no meio das duas coisas, mesmo. Nem tanto na bolha nem tanto na boca. Meu vizinho é que deveria mudar-se pra uma chácara com milhares de metros quadrados e uma casa bem no meio cercado de nada. Algo do tipo “A Morte do Demônio”, aquele clássico do trash dirigido pelo Sam Raimi e que é tudo de bom, mas mala que é mala vai pentelhar até os bichinhos. Um dia ele vem até a área de serviço e diz que alguma coisa está “vibrando” no apartamento52 (?!). Pois não é que no outro recebo a visita da minha avó e o mala-vizinho soca a minha parede por estarmos conversando?! Minha avó é filha de italianos, tudo bem, mas não fica dançando a tarantela no meu quarto. Mal escuto sua voz quando conversamos. Um dia, quando eu voltar a fazer sexo, que pelo que lembre faz barulho, terá que ser com a mão na boca em vez de lugar melhor só pra não importunar a criatura.
Acabei de chegar do Ceagesp. Estava tomando um café no Suplicy agora á noite quando recebi o chamado da minha mãe em mais uma febre de compras. Ela adora comprar coisinhas. Bem oportuno, eu também quero comprar uma árvore pra colocar na varanda integrada do apartamento52 depois da faxineira ter decepado meu bamboo, que eu tanto amava. Achei uma pitangueira linda, e um pé de ameixas também, mas achei melhor pesquisar se eles se adaptam á varandas, o que eu acho que não. Voltei de mãos vazias, mas em compensação comi um cural de milho verde divino.
De resto, estou há duas horas navegando pela onipotente e onipresente internet. Cheguei hoje á conclusão de que ela sim é poderosa, está em todos os lugares e ligada á tudo e á todos ao mesmo tempo.Um bicho tão grande que no final a gente quer mamar o tempo todo pra tentar não perder nada, ter tudo ao mesmo tempo, que nem ela. Falar com todos, ter todos, saber de tudo. Será mesmo que eu quero? E eu achando que com meus prolongamentos todos do post anterior estava virando uma super-hiper-máquina. Pretensão. Acho que ando lendo muito Baudrillard...
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Computador é brinquedo de gente grande. É como brincar de Lego, a gente anexa arquivo dentro de arquivo, copia, cola, desfaz tudo. A gente adora trocar papel de parede, o skin do music player, reorganizar os ícones da área de trabalho, pois dependendo do humor a Lixeira fica melhor em cima do Explorer que fica mais legal do lado direito superior da tela, ou não. Adoro abrir pastas e subpastas, por exemplo, divididas por cantor, álbum, gênero, cor da capa, álbum família, férias, trabalho, festa da sobrinha, boate, ensaios fotográficos, e depois inverte tudo. Brincadeira mais legal só da web. Considero meu PC o pão e a web a salsicha, numa comparação nada á ver. A gente conversa, manda arquivo, baixa foto, música, filme, enfeita o PC, escreve blog e tem até perfil virtual. Geralmente quem é gordo vira magro, quem é magro vira atlético, o feio fica bonito, morena vira loira e homem vira mulher, e também vice-versa. De vez em quando a gente vê sacanagem também. É quase como entrar na maioridade e ganhar um carro esportivo ou virar astronauta, tudo junto. Eu brincava de cabana e hoje brinco de PC.
Certa vez me lembro de ter machucado o nariz. Usava óculos desde pequeno e hoje não preciso mais. Aquela armação maldita pesava mais do que devia, era azul e tinha a cara do Pato Donald grudada nas laterais. Eu ficava revoltado de ter que usá-lo, não pelo Pato Donald, mas não considerava aquilo como parte do meu corpo, me importunava, além da vergonha que passava na escola, claro. Até que ele parou de me machucar. Até comecei a gostar dele, incorporei total o visual e me sentia pelado sem óculos. Me questiono até que ponto eu sou eu, quais são meus limites? Nasci com cabeça, tronco e membros, graças. Mas ao longo do tempo fui acoplando, as fraldas, as roupas, os óculos, a obituração do dente de leite, que aliás também saiu e deu lugar pra um novo, a mochila pra levar peso e muitos e muitos dados do meu CPU, HD interno, externo, que não recordaria normalmente e nem reproduziria com exatidão. E fui aperfeiçando também! Cortei infinitas vezes o cabelo, aparei a barba, fiz meus músculos crescer, a gordura diminuir, treinei a voz pro teatro, aprendi a escrever, e só escrevo com a ajuda de uma caneta, um teclado, ou um pedaço de carvão.
Será que este computador também sou eu?!
terça-feira, 14 de julho de 2009
Durante o almoço até tirei um cochilo. Alguém abriu a porta de nossa “sala despressurizadora” e quase me arrancou o pé. Não sou alto, tenho um metro e setenta e quatro, mas meus pés sempre ficam pra fora do sofá e levam várias porradas durante o cochilo. Talvez seja de propósito, é possível que estivesse roncando. Fiz uma cabaninha de almofadas de estampa indiana na minha cabeça e esqueci do mundo, nem pensei em levantar pra xingar. Mas também não iriam levar a sério, o povo daqui adora minhas micagens e provavelmente ririam do meu ataque.
Devo ter entrado no período de hibernação apesar de não ser urso, em nenhum dos sentidos. Dormi muito de Sexta pra Sábado também. Na Sexta, e no Sábado, tentei continuar pela nona vez o filme francês chamado “A Questão Humana”. Sempre durmo na mesma parte, e não que o filme seja chato. Um pouco pretensioso talvez, mas eu gosto. Pra mim, já virou um seriado e vou assistir em uns quinze capítulos. Sempre durmo na parte em que toda a tchurma da empresa vai pra uma rave, o chefe e seus subordinados, e eles “dançam” a noite inteira de maneira dionisíaca, até acordarem sujos e jogados, deitados no chão quase sem roupas e com uma ressaca danada. A cena é estranha, porque contrasta com todo o filme que até então se passa dentro de uma empresa em um clima extremamente formal, e porque “dançar”, desculpas ao meu grande amigo Charles, não é a praia dos franceses, pelo menos da maior parte deles, com exceção dele mesmo que requebra horrores comigo todo fim de semanam e tem um ziriguidum danado.
Sábado choveu da hora que acordei até a noite. Colocava a cabeça pra fora da janela e naquela garoa fina e fria, academia nem pensar. Como o filminho francês estava de rosca, assisti “Brown Bunny”, que é pesado mas tem uma das cenas mais bonitas que já vi, totalmente sem fala. Quando o tempo deu uma brecha me agasalhei com mil blusas e fui até o Al...ai...o Al....aiaiai...o Al....e passei algumas horas lá. Á noite, combinei de comer pizza na casa de uns amigos e, depois de vestido, arranquei tudo na porta de saída e dei meia volta. Não tinha ânimo o suficiente. Desisti da The Week e comi três sanduíches de mortadela, pipoca, e refrigerante. Trash, mas uma delícia. Assisti Os Normais e dormi no sofá.
Continuo o post já na Terça, ontém fui interrompido tantas vezes por uma mala sem alça que não consegui continuar.
A semana começa mais triste e vazia. A morte da Pina Bausch me deixou transtornado. Quando li a notícia um silêncio se fez, o mundo deve ter ficado mais silencioso mesmo, menos interessante. Culpa dela mesma, que nos encantou tanto tempo com seus movimentos tão intensos e agora vai embora assim.
A vida é uma sacanagem.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Nada como uma noite que deu certo e na companhia do Al...ai...o Al....aiaiai...o Al... Nem pra academia eu fui, e olha que pra isto me disciplino. Voltei pra casa mais ou menos vinte pra meia noite e dormi bem, até o meu súbito despertar das quatro da manhã.
Estava frio quando fui pro escritório, o céu aberto, azulzinho azulzinho. Fui ouvindo "Finally made me happy" da Macy Gray que de tão boa não sai da minha cabeça mais e foi a trilha de hoje. Tudo perfeito e sem pombas. Confesso que estava com um pouco de medo. Quando tudo está perfeito demais soa um pouco bizarro. Andei todo o trajeto tomando todo o cuidado pra que tudo ficasse como estava e não esbarrasse em nadinha. Sorri pra todo mundo e olhei pra não pisar na merda. Lindo, elevador me esperando, cheguei direto ao décimo terceiro andar e louco pra conversar. Nada da carioca, minha amiga e colega de trabalho com quem tenho altas conversas de cunho filosófico-existencialista, financeiro, e sobre a existência de Deus. Já tinha escutado toda novidade da viagem á Boston da qual ela havia chegado no dia anterior, agora era minha vez de falar e dela escutar, o que exige um esforço considerável da sua parte. A fofa, como seu marido a chama, entrou em quarentena. Não sei qual a conta, mas o médico disse ser de noventa e oito porcento(!) a chance de ser a tal da gripe que o nome não se pronuncia. Sabia que tinha alguma merda.
Como tenho uma certa tendência a psicossomatizar, fiquei o dia inteiro com o corpo mole. Já me imaginei trancado no apartamento52, um agente federal vestido de astronauta lacrando minha porta e alertando a população sobre os perigos da minha existência. Entrando em casa, meus pais jogados no sofá assistiam ao show-velório do Michael Jackson e esperavam pra uma visitinha surpresa. Corri pro quarto, tinha que protegê-los. Peguei uma super cueca azul e botei na cara. Não consigo pensar em nada mais que tenha elástico e tamanho suficiente pra cobrir uma boca e nariz assim tão rápido. Óbvio que não era nenhuma sunga fio-dental, portanto servia. Expliquei tudo bem de longe, eles riram. Ninguém me leva a sério mesmo.
